Funcionalidades

Da AMADIS

Uma Plataforma para Educação a Distância – EAD é um software complexo que se destina ao estabelecimento de Ambientes Virtuais de Aprendizagem - AVA, os quais suportam as interações entre determinada comunidade de usuários. Toda plataforma oferece um espaço virtual para trocas, sendo estas mediadas por softwares que oferecem determinadas práticas interativas e pedagógicas, que variam conforme as funcionalidades oportunizadas para interação.

Devido à natureza integrada desse tipo de software, no momento do seu desenvolvimento, é comum agrupar-se os diferentes elementos de forma amalgamada. No entanto, visando um maior esclarecimento das peculiaridades das partes, subdividiu-se os elementos do AMADIS, neste relatório, em duas categorias distintas:

a)Estrutura da Plataforma
Corresponde aos elementos que têm caráter estrutural no design do software e que estão intimamente relacionados às propostas epistemológicas e pedagógicas da plataforma. Eles constituem a "espinha dorsal" do sistema e condicionam os ambientes que deles podem emergir.
b)Ferramentas
São os elementos que mais funcionais da plataforma. A partir deles, criam-se os mecanismos de ação do usuário. Mesmo que as ferramentas sejam desenvolvidas de acordo com a proposta teórica da plataforma, têm uma menor influência sobre o caráter epistêmico geral das práticas pedagógicas que ocorrem no ambiente. Inclusive, pode-se observar a presença de uma mesma ferramenta em plataformas que possuem pressupostos teóricos opostos.

Este artigo realiza uma descrição detalhada dos elementos presentes no AMADIS seguindo a classificação anteriormente descrita.


Índice

Estrutura da Plataforma

As plataformas virtuais de aprendizagem existentes sustentam-se, em sua maioria, nos modelos convencionais de cursos, que tanto impõem, como dependem de uma estrutura física, pedagógica e gerencial compartimentada e hierárquica para funcionar. Nessas plataformas, a interface precisa ser subdividida em ambientes circunscritos a turmas de alunos que devem realizar, nos mesmos espaços, as mesmas atividades. Nesse caso, a espinha dorsal dos projetos costuma ser a exploração de "conteúdos programáticos" disciplinares, o que acaba por não criar espaços para a interdisciplinariedade.

Em outras palavras, esses ambientes apresentam uma estrutura rígida, embasada na lógica convencional do funcionamento de cursos que sustentam uma concepção equivocada de aprendizagem dos seres humanos, que é diferente da aprendizagem das máquinas e da dos animais (cf. FAGUNDES, 2005). As ferramentas disponíveis refletem essa concepção, resumindo-se à disponibilização de conteúdos, ao esclarecimento de dúvidas sobre estes (conversas síncronas e assíncronas), à disponibilização de exercícios, à recepção de soluções e à publicação das avaliações.

Por outro lado, o AMADIS objetiva ser uma plataforma de apoio à Pedagogia de Projetos, especialmente aos Projetos de Aprendizagem. Nesse sentido, durante o processo de desenvolvimento do AMADIS, tem-se buscado não transpor a estrutura escolar para uma nova mídia, mas sim explorar as novas formas de ensinar e aprender que a Internet possibilita.

Um dos grandes desafios enfrentados ao longo do projeto foi o de organizar estruturalmente a plataforma de modo a romper com um modelo hierárquico demasiado rígido, sem com isso comprometer a usabilidade da interface pelo usuário. Investiu-se grande esforço nessa pesquisa específica, pois a equipe compreendia que a plataforma geraria um certo "estranhamento", à primeira vista, em seus usuários, seja pela proposta pedagógica inovadora ou pela grande versatilidade do software. Tal "estranhamento", pode ser visto, até certo ponto, como um objetivo, na medida em que possibilita ao professor e ao aprendiz refletir sobre suas concepções a respeito do processo de aprendizagem e também vislumbrar a possibilidade de novas práticas pedagógicas.

Entretanto, sobre o aspecto da usabilidade do software, o "estranhamento" pode tornar-se um sério problema. Quando se está desenvolvendo uma plataforma destinada apenas à realização de cursos, o usuário normalmente reconhece a constância estrutural do sistema curso-disciplina-turma, que funciona como uma "pista" a respeito da forma de se utilizar a interface do sistema. Quando se rompe com essa estrutura, deve-se tomar cuidado para não propor uma interface tão diferente quanto incompreensível, com a qual o usuário não consiga estabelecer nenhuma relação.

Além dessa questão, no que se refere à produção de softwares para EAD, é muito difícil não se transpor características de uma educação tradicional à Internet. Isso ocorre porque mesmo os membros de uma equipe de desenvolvimento interdisciplinar foram educados por uma "escola tradicional" e, perante o desafio de "inovar", inadvertidamente, podem replicar essa mesma estrutura, porém, sob um novo formato. Apesar de quase todas as plataformas virtuais de aprendizagem terem preocupações não só técnicas e funcionais, como também pedagógicas e conceituais, poucas são as que refletem a respeito da coerência entre seus pressupostos teóricos e o produto desenvolvido. Em vista disso, ao longo do processo de desenvolvimento do AMADIS, sempre se manteve clara a necessidade de refletir sobre o produto que estava sendo construído, buscando-se, assim, criar uma relação mais efetiva entre teoria e prática.

Em sua composição atual, o AMADIS está estruturado em cinco áreas principais:

  • Projetos
  • Pessoas
  • Comunidades
  • Cursos
  • Webfólio

Essas áreas foram reunidas em dois grandes grupos: as de acesso público e as de acesso pessoal. As públicas são aquelas em que toda comunidade de usuários compartilha de um sistema, mesmo que com pequenas variações. Ex.: Projetos, Pessoas, Comunidade e Cursos. Já a pessoal é única para cada usuário, trata-se do Webfólio de cada usuário. Cada uma dessas áreas possui ferramentas de interação e de autoria associadas.

Acesso Público

Acesso Pessoal

Ferramentas

Ferramentas de Interação

Uma das partes importantes no desenvolvimento de um ambiente para EAD como o AMADIS são suas ferramentas de interação. Esse tipo de ferramente é muitas vezes chamada de Computer Mediated Communicaction - CMC, por se basear na comunicação síncrona e assíncrona, tando seus representantes mais comuns o chat e fórum. A menos usual destas ferramentas presentes no AMADIS é o sistema de mensagens instantâneas que se assemelha ao ICQ ou MSN Messenger. Esta possibilita a abertura de chats privados (entre dois usuários somente).

Ferramentas de Autoria

As ferramentas de autoria devem prover facilidades para que os construtores de projetos registrem seus processos de pesquisa. Isto pode ser feito através da criação de um Página do projeto na Internet, uma Página Pessoal ou do registro em um Diário(do usuário ou projeto). A publicação da Página permite ao usuário a divulgação das suas pesquisas, instigando futuras contribuições de outros sobre o ambiente. Além disso, o process de construção da página é um meio adequado para o aprendiz refletir sobre seu projeto, tornando-o produtor ativo de conhecimento e influenciando formações de redes de pesquisadores. Através da Página Pessoal o usuário do AMADIS pode construir um espaço próprio dentro do ambiente, construir uma identidade de referência para outras pessoas. Por fim, o Diário (Blog) vem facilitar a criação de uma linha temporal de evolução do projeto que esteja sendo desenvolvido. Ao mesmo tempo, ele oferece um nível de interatividade com outros usuários, na medida em que permite a adição de comentários sobre os registros feitos no Diário.

Ferramentas de Visualização de Informações

Quando uma plataforma está organizada seguindo uma estrutura de cursos, o aprendiz tem contato apenas com as atividades que pode realizar. Desta forma, a parcela de dados que ele tem acesso é sempre limitada. Por outro lado, numa plataforma como o AMADIS, deseja-se que os sujeitos ajam de forma investigativa, explorando os dados disponíveis, observando as produções de outros sujeitos e interagindo com estes. A partir da ampliação das possibilidades de ação do usuário sobre a plataforma, aumenta-se a quantidade informações disponíveis para consulta e manipulação. Além disso, essa proposta também desloca as interações de locais claramente circunscritos pela hierarquia rígida das relações Curso-Disciplina-Turma, tão comuns em outras plataformas. Isso causa uma pulverização das interações dos usuários, fato que deve ser controlado de forma a não inviabilizar o trabalho de professores, orientadores e tutores.

Para enfrentar tal desafio, foram empregadas a partir do AMADIS 1.2 diversas técnicas de Visualização de Informações (cf. GERSHON, 1997) com o objetivo de dar uma maior visibilidade aos diversos tipos de informação do ambiente. Além disso, ao utilizar tais técnicas, também se deseja criar uma alternativa para os diversos sistemas de estatísticas, comuns em plataformas para EAD. Como será visto, o uso de visualização de informações é uma forma de evidenciar os aspectos qualitativos das informações, bem como as suas relações. Na presente subseção, examinar-se-ão dois usos de tais técnicas dentro do AMADIS.

Ferramentas de Publicação

Conforme o AMADIS foi crescendo, ampliou-se a necessidade de se ter no ambiente uma ferramenta em que os usuários pudessem armazenar arquivos e também compartilhá-los com outros usuários. Em vista disso, projetou-se uma Biblioteca para funcionar em duas instâncias: uma mais geral, denominada Biblioteca do Projeto, que permite a troca de arquivos relacionados a um projeto de aprendizagem; e outra pessoal, chamada Meus Arquivos, que armazena e compartilha arquivos pessoais do usuário.

Cabe ressaltar a importância que teve para o AMADIS o desenvolvimento da ferramenta de compartilhamento de arquivos. Através dela, foi possível disponibilizar a todos os membros do ambiente, os arquivos antes restritos a uma única pessoa ou a um projeto. Antes da sua implementação, a troca de arquivos na Biblioteca do Projeto estava restrita aos usuários vinculados ao projeto, o que dificultava a divulgação das pesquisas. Já no caso da biblioteca pessoal, ou Meus Arquivos, os documentos só estavam disponíveis ao próprio usuário, que os inseria em sua área pessoal, não sendo passíveis de ser vistos por outros. Para solucionar o problema, então, foi criada a função de compartilhar arquivos.

Para representar essa função, optou-se por criar um botão com o símbolo de um pequeno olho. Este está localizado junto às ações de cada arquivo. A idéia do olho está associada ao conceito de visibilidade. Quando o usuário habilita o botão, significa que o arquivo passa a estar visível a todos os outros usuários do ambiente, o que concretiza a idéia de compatilhamento.

Além disso, após feita uma analogia entre algumas ferramentas do AMADIS com as do Orkut, optou-se por incluir no sistema um álbum de fotos. Ou seja, a ferramenta Álbum permite o armazenar arquivos de imagem que podem ser vistos pelos demais usuários do ambiente.

Outras funcionalidades e Soluções de Interface

Referências Bibliográficas

FAGUNDES, L., Maçada, D., Sato, L.
Aprendizes do Futuro, as Inovações Começaram, MEC, 1999.
GERSHON, N. e EICK
S. G. Information Visualization. In: IEEE Computer Graphics and Applications, 17, nº 4, p. 29-31, 1997.
MAGDALENA, B., Pernigotti, J., Dutra, I. Camargo, F., Valentini, N., Lacerda, R. Gonzalez, Yara.
Projeto Amora 2000, 1999. Acesso via web em julho de 2004: http://amora.cap.ufrgs.br/2000/documentos/ProjetoAmora2000.doc
MONTEIRO, V. C. P., MENEZES, C. S., NEVADO, R. A., FAGUNDES, L. C.
Ferramenta de Autoria e Interação para apoio ao desenvolvimento de Projetos de Aprendizagem. Em: Revista Novas Tecnologias Aplicadas à Educação. Nov/2005.
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