Funcionalidades de Visualização de Estado Versão 1.x

Da AMADIS

Experiências com Visualização do Estado

Durante o Programa ECSIC, um dos problemas observados foi a dificuldade dos usuários em observar as ações que estavam ocorrendo sobre o ambiente, em virtude do grande volume de informações disponíveis. Nesse contexto, várias formas de busca e de navegação sobre esses dados foram implementadas, visando facilitar a exploração dos dados. Porém, os usuários continuavam a apresentar dificuldades em construir uma “imagem” da totalidade do ambiente. A complexidade das relações e a intensa atividade ocorrida nas diversas ferramentas de interação dos projetos não eram facilmente observáveis pelos usuários/aprendizes, o que lhes deixava com uma visão fragmentada e desarticulada do ambiente. Para visualizar o que estava ocorrendo dentro daquele espaço virtual, os sujeitos precisavam visitar cada um dos diferentes projetos e seus respectivos fóruns, chats e páginas, o que lhes exigia um esforço de representação para construir mentalmente uma imagem desse “lugar”. Tarefa esta de caráter ininterrupto, devido ao constante fluxo de interações que ali se desenrolavam. Como forma de compreender esse problema, buscou-se auxilio nas investigações realizadas por BOYD et al. (2002) sobre espaços sociais virtuais. Nesses estudos, o autor aplica o conceito de legibilidade de espaços sociais, utilizado no planejamento urbano, através do desenvolvimento da interface para uma ferramenta de acesso ao usenet, denominada Loom.

Ao “tomar emprestado” da arquitetura o conceito de legibilidade e aplicá-lo na visualização de “paisagens de informações”1, BOYD destaca a importância da interface fornecer “pistas” e padrões que ajudem o usuário a compreender o espaço de um ambiente, a sua história e as pessoas que nele habitam. Para realizar isso, ele utiliza representações visuais com fortes laços com o mundo físico ou com a cultura dos usuários. Os estudos de BOYD ajudaram a equipe de desenvolvimento a compreender a dificuldade enfrentada por seus usuários. A interface do AMADIS não proporcionava meios para que os usuários observassem as mudanças que ocorriam naquele ambiente. No mundo físico, quando um sujeito realiza uma inspeção visual sobre um espaço do qual ele se manteve afastado durante algum tempo, possivelmente ele conseguirá apontar algumas das mudanças que ocorreram. No entanto, em um espaço virtual, cabe ao projetista da interface criar meios para que se torne possível a visualização dessas mudanças. Esse problema vai além de enumerar uma lista de ações que ocorreram, fato impraticável sobre um grande volume de dados. Trata-se de criar representações gráficas que tornem observáveis estados e padrões por meio de “rápidas” inspeções visuais, nas quais as mudanças sejam evidenciadas. Visando elaborar uma estratégia para representar o estado do ambiente, recorreu-se às técnicas desenvolvidas por LAM (2005) nos softwares Seascape e Volcano para a visualização das interações na usenet. Suas pesquisas investigam o uso do movimento para representar informações de interações sociais. Assim, ele foca-se no uso de laços de animação periódicos para evidenciar a dinâmica dos dados. Existem várias formas de utilizar o movimento como técnica de visualização de dados. Normalmente, ele é utilizado associado ao tempo histórico e linear. Em Seascape e Volcano, o movimento não representa qualidades temporais das informações, mas sim concretiza o ritmo e atividade naquilo que o autor denomina timeless movement - movimento sem início nem fim.

Como estudo de caso, foi desenvolvido um applet Java, denominado ProjectPulse, que implementa as técnicas desenvolvidas no Seascape para criar uma “paisagem” com as informações dos projetos de um ambiente criado no AMADIS.

Applet ProjectPulse exibindo o nome de um projeto.

Como pode ser observado na Figura acima, no ProjectPulse, existem vários quadrados no espaço da tela que movem-se constantemente, seguindo uma trilha definida por uma função senoidal. Cada uma dessas figuras é a representação de um projeto cadastrado no AMADIS, cujos atributos de movimento são definidos pelas seguintes regras: (a) o tamanho do quadrado é proporcional ao número de usuários do projeto, (b) a amplitude do movimento é definida com base na quantidade de interações que o projeto teve desde sua criação e (c) a velocidade do movimento é determinada pelo número de interações que o projeto teve nos últimos 7 dias. Depois de se apropriar dessas regras, o usuário consegue, por meio de uma rápida inspeção visual, observar vários padrões de comportamento nos diferentes projetos. Por exemplo, os projeto que estão mais ativos se movem mais rápido do que os demais. Já os projetos que estiveram muito ativos no passado, mas hoje estão “adormecidos”, movem-se com uma grande amplitude e de forma lenta. Já os projetos que foram criados recentemente e ainda não tiveram interação ou produção têm uma trajetória praticamente retilínea. Por meio dessa ferramenta, o usuário consegue observar mudanças nos padrões de movimentação das figuras geométricas ao longo do tempo. Torna-se mais fácil inferir o que está ocorrendo na totalidade do ambiente, sem a necessidade de inspecionar cada um dos projetos individualmente. Conforme aumenta a velocidade dos quadrados, mais ativo encontra-se o ambiente.

Referências Bibliográficas

BOYD, Danah e LEE, Hyun-Yeul e RAMAGE, Daniel e DONATH, Judith S
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MARCUSCHI, Luiz Antonio
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RAO, Ramana e CARD, Stuart K
The table lens: merging graphical and symbolic representations in an interactive focus + context visualization for tabular information. In: CHI '94: Proceedings of the SIGCHI conference on Human factors in computing systems, 1994, Boston, USA. Anais. Nova York: ACM Press, p. 318-322.
VIEGAS, Fernanda B e DONATH, Judith S
Chat Circles. In: Proceedings of the SIGCHI conference on Human factors in computing systems, 1999, Pittsburgh, USA. Anais. Nova York: ACM Press. p. 9-16.
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