Plataformas para EAD e Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Da AMADIS

Usualmente dois termos distintos utilizados como sinônimos: plataforma para educação a distância e ambiente virtual de aprendizagem. O objetivo deste artigo, é realizar uma diferenciação entre ambos.

O termo Ambiente Virtual de Aprendizagem - AVA, possui diversas definições, cada qual privilegiando um de seus diferentes aspectos. Porém, pode-se encontrar naquela feita por Débora Maçada, uma construção mais próxima de um referencial teórico-construtivista.


"O ambiente virtual (digital) de aprendizagem é um sistema cognitivo que se constrói na interação entre sujeitos-sujeitos e sujeitos-objetos, transformam-se na medida em que as interações vão ocorrendo, que os sujeitos entram em atividade cognitiva. (...) Não existem fronteiras rígidas do que é meio, objeto e sujeito, pois um ambiente virtual de aprendizagem, sob a perspectiva construtivista, se constitui sobretudo pelas relações que nele ocorrem." [Maçada 2001, pág. 44]


No trecho transcrito acima, define-se a característica principal de um ambiente virtual de aprendizagem, que é o estabelecimento das relações entre os diversos sujeitos que nele "habitam". Esse processo dinâmico de estabelecimento de relações tem um aspecto estrutural, uma forma de organização que permite a Maçada defini-lo como um sistema cognitivo. Nesse sistema, cada sujeito recria o próprio ambiente a partir de suas interações com os outros e com o próprio ambiente, "nem somente individual, nem coletivo, mas essencialmente construído [Maçada 2001, pág. 43].

Sendo assim, um AVA não pode ser definido apenas pela soma de suas partes, mas também pela dinâmica de suas relações. Esse aspecto dinâmico é que define um AVA, pois a medida em que os sujeitos interagem entre si ou com o software mudam o todo que constitui aquele ambiente. Mas, apesar do movimento, ele continua possuindo uma identidade.

Maçada também problematiza o significado dado à palavra "virtual". Em sua visão, existe uma dicotomia no senso comum que define virtual em oposição ao real, ou seja, como não-real. Para tanto, ela trabalha com a relação Atual x Virtual trazida de Pierre Lévy [Lévy 1996], em que o atual é entendido como a criação sobre a virtualidade que uma problemática oferece. Nessa visão, um AVA seria um ambiente que possui uma virtualidade de novas aprendizagens para os sujeitos que a ele se integram.

Mas essa definição de virtual deixa em aberto o aspecto da relação tecnológica de um AVA, pois qualquer ambiente educacional, possui uma virtualidade de aprendizagens por mais restrita que ela seja. Ao defendender que as tecnologias digitais ampliam o campo dos possíveis de um virtualidade, Maçada utiliza o termo digital como a perspectiva do virtual ligada à tecnologia, ou seja, que define que o ambiente está localizado nos sistemas computacionais, e não no mundo físico.

Sobre essa perspectiva não existe dicotomia entre o termo virtual e o real, pois esse último é entendido em seu significado ontológico, e não como sinônimo do universo físico. Isso pode ser exemplificado pela trama do filme Matrix, em que o virtual (entendido como um universo criado pelos computadores) era o real, na medida que esse era construído pelos próprios sujeitos em interação com o que pensavam ser físico, mas na realidade era uma deformação dos sentidos.

Dentro dessa contexto, é que surge o termo plataforma para Educação a Distância - EAD, como sendo o software, ou o conjunto deles, que possibilitam o surgimento de um ambiente. Essa distinção é necessária, pois, como já foi dito, não podemos reduzir um AVA à sua parte computacional. Entretanto, esta faz parte do ambiente e ajuda a constituí-lo. O termo plataforma é muito comum na informática, onde utiliza-se plataforma de software para referir-se aos sistemas computacionais onde um outro programa está sendo executado. Por isso, ao se usar o termo plataforma dentro da informática, freqüentemente se estará falando de um sistema operacional, pois esse é base funcional para vários outros softwares.

Isso não quer dizer que qualquer plataforma seja fator suficiente para o surgimento de um determinado AVA, como muitas vezes os sujeitos são levados a acreditar quando se atribuem ao primeiro características do segundo. Por exemplo, nenhuma plataforma é cooperativa, ela pode, sim, oferecer mecanismos que favoreçam a cooperação, as quais podem ou não serem utilizadas. De forma análoga, um AVA pode ser cooperativo, mesmo que a plataforma em que ele está construído não possua ferramentas para tal.

Um outro ponto importante a definir, é que uma plataforma pode não ser um software especialmente projetado para suportar um AVA, como atualme nte é muito comum. Um AVA pode surgir de ferramentas simples, como uma lista de e-mails ou um fórum. Nesse caso, ambas as ferramentas seriam plataformas para esse ambiente.

Referências Bibliográficas

Maçada 2001
MAÇADA, D. L. Rede virtual de aprendizagem : interação em uma ecologia digital. Tese (Doutorado) -- Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação, Porto Alegre - RS - Brasil, 2001.
Lévy 1996
LÉVY, P. O que é o Virtual? São Paulo: Editora 34, 1996.
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